Luz na prisão

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Exageros

Quinta-feira, 20 Dezembro, 2007 · 2 Comentários

Me irrita o nacionalismo. Acho uma ignorância. Ao morrermos, morrem junto as referências de espaço e tempo e as divisões de países e culturas.

O ser humano é tão pouco evoluído que ainda precisa mijar em postes para marcar seu lugar no mundo e essa divisão cultural imbecil só nos leva a presenciar carnificinas despropositadas por dividir o planeta, moradia de todos, em nós e eles. E tendemos a odiar o eles. Só não percebemos que o nós, é eles de alguém, portanto também somos odiados por aí. Ao troco de nada, só pelo fato de existirmos e sermos diferentes, seja pela religião, cor da pele ou estilo de vida.

Posso dizer, por exemplo, que não fiz absolutamente nada para prejudicar nenhum sérvio. Nem conheço um sérvio sequer. Mas suponhamos que eles, os sérvios, sentem que o país deles está sendo invadido culturalmente por nós, brasileiros. Vai que eles pensam que o carnaval brasileiro é satanismo, como alguns brasileiros pensam que é o halloween. Isso já é mais que um bom motivo para qualquer brasileiro que apareça por lá ser odiado e segregado e qualquer manifestação cultural seja banida da Sérvia. Agora imagine-se nessa situação de ser odiado por pessoas que você não conhece por causa de algo que você não fez. Surreal!

A história da humanidade está repleta de exemplos de guerras e carnificinas causadas pelo nacionalismo. Mas parece que as pessoas não processam a coisa dessa forma. A impressão que tenho é que o grande propósito das sociedades é aniquilar outras sociedades para proteger a própria. Mas proteger de que? De quem? Cambada de legumes!!! As diversas culturas deveriam servir a um propósito melhor que provocar o ódio.

Prosseguindo o raciocínio:

Halloween é uma manifestação cultural pagã de origem celta, que data entre 600 a.C. e 800 d.C, época em que os EUA não eram EUA e ainda eram povoados por índios. Acreditava-se que nessa época do ano, que marcava o fim das colheitas, os limites entre o mundo dos vivos e dos mortos findava e que os mortos voltavam para causar doenças e má colheita. Os celtas então sacrificavam animais e os jogavam em fogueiras e máscaras eram usadas para aplacar os espíritos malignos. Com o tempo e a mistura de diversas culturas, a festa foi modificada.

A associação dessa festa com as bruxas vem da Idade Média, quando a igreja perseguia os pagãos, considerando-os curandeiros, bruxos.

O nome atual da festa é uma abreviação de all-hallow-even, ou, para a igreja que condenou a festa, Dia de Todos-os-Santos, que acontecia na noite de 31 de outubro para 1º de novembro. Nesta ocasião prestavam-se homenagens aos ancestrais e deuses Celtas. Para eles, os deuses faziam parte da árvore genealógica celta como primeiros indivíduos.

Portanto, chamar essa festa de satânica é um comportamento medieval; manipula-se a [falta de] informação para atingir [des]propósitos egoístas. ‘1984’, George Orwell. Lamentável.

Obviamente a festa foi modificada para fins comerciais e tem dado certo em países que adotam essa cultura.

Quanto a isso, não podemos falar nada. Tenho certeza que o Carnaval não era essa putaria que é hoje em dia. Era uma celebração cristã que com o tempo e a mistura de diversas culturas foi sendo modificada. Cada país modificou a celebração para melhor atender suas necessidades.

Nós, transformamos a festa cristã em motivo para fazer tudo que não temos coragem de fazer durante o ano todo de cara limpa e ainda: colocamos samba e desfiles de escolas de samba, adicionamos [muitas] mulheres nuas, quentes e suadas, financiamos parte da festa com dinheiro ilegal (tipo jogo-do-bicho), exploramos o turismo sexual e fazemos os gringos “perderem” dinheiro pra gente, fazemos sexo e merda por aí qual loucos. Bom, onde está a festa cristã do ‘adeus à carne’?

Vai que o Sérvio que citei anteriormente acha isso coisa do demônio! Pronto, vão tomar ódio do nosso país.

Agora vamos à seguinte situação: todo brasileiro, digo, carioca, acha lindo exportar o Carnaval. Mas queremos expulsar as manifestações culturais dos “gringos imperialistas”. Inverta a situação. Os estrangeiros adoram exportar o Halloween, mas odeiam essas festas de “latinos sem-vergonha”. Bom, então se é assim, nós expulsamos o Halloween daqui e eles o Carnaval de lá; expulsamos o McDonalds e a Coca-Cola daqui e eles o Brazilian Day de lá; expulsamos o Windows e o Mac OS daqui e eles os brasileiros de Miami; expulsamos o rock daqui e eles a bossa-nova de lá e aí começamos mais uma guerra imbecil que só leva a nada.

Resumo: nós paramos de exportar nossa cultura e eles param de exportar a cultura deles, trancamos nossos países e acabamos com o intercâmbio cultural e a humanidade não evoluirá mais.

Todas as manifestações culturais são formadas pela união de diversas manifestações culturais ao longo do tempo. Sempre foi e é assim que as sociedades se transformam e evoluem apesar dos esforços de alguns que insistem em viver em cavernas e usar clavas para acasalamento.

Começo a achar que neurônio é um bem raro e que inteligência é uma palavra perdida.

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É mentira, Terta?

Sexta-Feira, 3 Agosto, 2007 · 5 Comentários

Hoje não estou nos melhores dias, mas vai lá, algumas coisas têm que ser escritas.

Recebi hoje, por e-mail, uma mensagem, das mais irritadas devo adiantar, de alguém que não conheço e que faz uma emputecidíssima dissertação sobre o que pensa do povo brasileiro.

Achei um pouco exagerado para um texto que tinha a pretensão de tornar-se público, mas como o autor quis permanecer anônimo, resolveu pisar fundo. E vai aqui neste blog o texto na íntegra.

Não concordo com tudo o que está escrito, mas vejo uma generosa dose de verdade por baixo da irritação. Raiva não leva a nada e o autor dificilmente mudará algo dessa maneira. Como não sou uma pessoa de “panos quentes”, não finjo que está tudo bem e portanto não fico impregnando minhas ações como cidadão brasileiro com o senso comum. Tento diariamente transformar minha irritação em atitudes construtivas, procurando fazer da melhor maneira possível a minha parte no todo.

Enquanto minha paciência não esgota.

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AVISO IMPORTANTE!!!

Se você é muito fã do Brasil, do povo que nele habita e acha que “é assim mesmo, né?”, NÃO LEIA!!!

Mas se você acordou com o pé do meio, tem muitas coisas que quer falar e estão engasgadas e está com vontade de ler algo cabeludo, pode ler.

:: Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.

Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;

Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;

Aceitar que ONG’s de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade.

Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.

:: Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.

Fazer piadinha com as imundícies que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.

Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.

Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

:: Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.

Brasileiro é vagabundo por excelência. O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.

Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

:: Brasileiro é um povo honesto. Mentira. Já foi; hoje é uma qualidade em baixa.

Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.

O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

:: 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Já foi.

Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como “aviãozinho” do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

:: O Brasil é um pais democrático. Mentira.

Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.

Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia.

Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.

Democracia isso? Pense!

O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um “gato” puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba! silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto… malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero: zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal, somos penta campeões do mundo né? Grande coisa…

:: O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950.

Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avós se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram… Brasil, o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

:: Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar…

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.

Para finalizar tiro minha conclusão:

O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar.

Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos, amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: água doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

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Bem, esse é o texto. Fico por aqui com grande tristeza no coração.

Forte abraço a todos.

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